O Nacionalismo de Mikhail Glinka - 6ª Oficina de História
Introdução
O Romantismo foi um movimento artístico, cultural e intelectual que se estendeu de 1810 a cerca de 1910. Os compositores românticos se destacaram no rol da música universal ao darem uma importância extraordinária às emoções. Ao contrário dos seus antecessores, os românticos viam o sentimento como o que deveria definir toda a melodia e a harmonia da composição. Mais que isso, defendiam uma liberdade de criação musical nunca antes vista, com a música transcendendo os limites da formalidade impostos até então, e chegando à pura essência do ser humano.
E, muitas vezes, essa predileção pela expressão das emoções se misturava ao Nacionalismo, isto é, com a noção de pertencer a um grupo, a uma nação. Os compositores românticos costumavam colocar em seus temas musicais fortes sentimentos por seu país. A pátria era glorificada através do uso de melodias e ritmos do folclore nacional, além do emprego de cenas do dia-a-dia, lendas e histórias de sua terra, mais comuns nas óperas.
A ópera, aliás, se tornou a mais popular das formas musicais no século XIX, e foi muita utilizada como meio de difusão dos ideais patrióticos nacionalistas, justamente por aliar a encenação (que poderia ser de lendas ou cenas do cotidiano nacional) com a música (cujo tema era de admiração e louvor à pátria).
A música de Mikhail Glinka
Glinka é considerado até os dias atuais como o pai da música russa. Suas óperas de cunho nacionalista foram muito apreciadas pelos seus compatriotas, e estabeleceram as bases onde seus sucessores, como Tchaikovsky, tiraram sua inspiração.
Mikhail Glinka tinha por objetivo estabelecer os padrões de um estilo genuinamente russo de música (o “modo russo de compor”), rompendo com as influências germânicas e italianas tão fortes em sua época. Assim, já se nota um objetivo patriótico nas composições de Glinka, na medida em que procuravam construir uma identidade nacional para a Rússia no âmbito da música romântica.
Entretanto, sua música, de essência exageradamente folclórica, não foi tão apreciada no resto da Europa, ficando de certa forma restrita ao âmbito das composições nacionais russas.
Uma vida pelo Tzar
Aos 32 anos, em 1836, Glinka compõe a ópera que viria a ser sua obra-prima: “Zizn te tsaria”, “Uma vida pelo Tzar”. A obra conta a estória de Ivan Susanin, um simples camponês, e se passa entre 1612 e 1613. O herói descobre uma conspiração dos poloneses, que querem assassinar o recém-coroado Tzar russo, e parte com sua família para tentar alertá-lo.
Susasin consegue enganar as tropas polonesas, levando-as para um beco sem saída numa passagem montanhosa, enquanto seu genro, Sobinin, e seu filho, Vanya, correm para o palácio do Tzar. Ao descobrirem a farsa de Susanin, os poloneses o matam, mas o Tzar consegue escapar da ameaça iminente. O último ato fecha com uma procissão em Moscou, celebrando a glória do Tzar e o heroísmo de Susanin.
A estória era repleta de referências ao folclore russo, como as festas populares nos vilarejos pelos quais Susanin passa e a referência a elementos folclóricos e religiosos. Além disso, a trama era acompanhada por composições muito diferentes daquelas tocadas nos outros países europeus: em vez de grandes sinfonias, as músicas eram típicas do cancioneiro popular da Rússia (a sinfonia só aparecia durante a passeata final em Moscou).
Dessa forma, Mikail Glinka visa incentivar uma postura patriótica no povo russo. Dando o exemplo de um camponês simples que se torna um herói ao dar a vida pelo soberano e pela sua nação, o autor deixa a seguinte mensagem: “Você, também, pode entrar para a História se amar a pátria mais do que tudo, inclusive mais do que sua própria vida”. A ópera demonstra, assim, um conteúdo altamente nacionalista, típica do Romantismo.
Além disso, ao colocar a etnia, a nação polonesa como inimiga da russa, Glinka contribui para a formação de uma identidade nacional para a Rússia: existimos “nós”, os heróis da pátria, e “eles”, os poloneses, assassinos e traidores.
Lembremos que o Nacionalismo é uma construção – ele não surge pronto, mas é edificado pouco a pouco. E a escolha musical de Glinka se mostrou perfeita para esse objetivo.
Para exemplificar, tome-se um tenor russo que execute a peça “Uma vida pelo Tzar”. Ao entoar composições típicas do cancioneiro popular russo, parecidas com aquelas que ele escuta em seu cotidiano, e assistir cenas repletas de folclore, presentes em seu dia-a-dia, surge no cantor (e no público) um forte sentimento de pertença à nação, à “Mãe Rússia”. Eles percebem “Ei, eu conheço isso. Essas músicas são daqui. Eu me identifico com elas”. Isso não acontecia com as hegemônicas óperas alemãs e italianas, que não representavam, de forma alguma, os costumes russos. Já Glinka consegue capturar com maestria a essência cultural de sua pátria – tão bem que suas óperas, forma musical sempre considerada erudita, se tornam populares entre o povo, nas ruas. E criam em suas consciências a noção de que “Eu pertenço a essa nação. Eu sou russo.”
Alunos:
Jose Paulo Amoedo Bueno Brandão..........................................nº 9
Matheus Padrón da Silveira.......................................................nº 17
Matheus Pereira Leão...............................................................nº 18
Turma: 211
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