Introdução
Na década de 1850, a Itália estava dividida em oito Estados independentes, e o que detinha maior poder político era o Reino da Piemonte-Sardenha.
Piemonte-Sardenha era comandada por Vitor Emanuel II, que se interessava em unificar a Itália para consolidar o poder de Piemonte. Ele visava obter os resursos econômicos do território italiano, e para isso planejava criar uma “Nação Itália” sob seu comando.
Outra figura importantíssima nesse processo foi Giuseppe Garibaldi. Comandante das Forças Armadas Piemontesas, ele era um homem de grande carisma junto à população italiana. Tinha ideais fortemente liberais, e por isso se envolveu no movimento da Jovem Itália (os “camisas vermelhas”). Esse grupo englobava intelectuais, profissionais liberais e a classe média urbana, e defendia a criação de uma República democrática que unisse todos os Estados italianos.
Vitor Emanuel II, que certamente não tinha interesses numa República (ainda mais democrática), viu no carisma de Garibaldi uma oportunidade para concretizar seu projeto de Unificação. Então, patrocinou excursões de Garibaldi para conseguir o apoio de outras províncias, como a Sicília.
Enquanto isso, o exército piemontês lutava para conquistar os Estados da Itália do Norte, e depois de uma campanha violenta contra a Áustria, dominou o Estado da Lombardia, ao mesmo tempo em que Garibaldi obtinha o apoio das províncias sulistas. A Itália já estava praticamente nas mãos de Vitor Emanuel II, que acabou sendo declarado o Primeiro Rei da Itália Unificada.
Faltava apenas anexar ao Reino Italiano as regiões de Veneto (Veneza) e Roma, em poder da Áustria e do Papa, respectivamente. Com o fracasso de acordos diplomáticos, a única opção era tomar estas Regiões à força.
Vêneto foi adquirida graças à guerra entre a Áustria e a Prússia, sendo esta última auxiliada pela Itália. Garibaldi sofre inúmeras derrotas, mas a Prússia garantiu a vitória e o território foi anexado à Itália.
Roma foi conquistada apos a retirada das tropas francesas, que defendiam a cidade, para a Guerra Franco-Prussiana. Os partidários da unificação, então, transformaram-na na capital do Reino.
Manipulação política
Agora que já entendemos como se processou a unificação da Itália, iremos analisar mais a fundo as questões políticas envolvidas.
Garibaldi, além de ter muito carisma junto ao povo, liderava os “camisas vermelhas”, grupo republicano democrático. O Conde de Cavour, Primeiro Ministro de Piemonte, conseguiu “trazer” Garibaldi para junto do projeto político de Vitor Emanuel II.
De certa forma,é possível afirmar que todo o carisma de Garibaldi foi utilizado pelo monarca piemontês para conquistar o apoio das camadas populares. Para lograr na tarefa de unir um povo tão diverso quanto era o italiano, era necessária uma liderança forte e carismática, e Garibaldi se encaixava perfeitamente nesse papel.
Ele foi então manipulado pelas lideranças piemontesas, e nas suas excursões conseguiu unificar vários dos Estados italianos. Entretanto, ao perceber que o projeto político altamente monarquista de Vitor Emanuel diferia se seus ideais republicanos Garibaldi se sentiu traído e partiu para o exílio.
Mas agora já era tarde: a Itália estava unificada e nas mãos de Vitor Emanuel II. Entretanto, cabia ao novo rei uma tarefa difícil: criar um conceito de nação italiana, evocando no povo a afeição ao seu país. E, como veremos, ele se utilizou da história para tanto.
Apesar de unificada, as diferenças entre Norte e Sul eram enormes em suas relações sociais, econômicas e culturais. Até por isso a Região Norte se desenvolveu mais. Para ter sua unificação realmente reconhecida internamente, num Estado onde predominam dialetos locais e a língua oficial tem apenas 2% de falantes no dia-a-dia Vitor Emanuel II se utilizou do nacionalismo.
O idéia era simples: Os italianos tem que sentir orgulho de sua pátria, para reconhecê-la e defendê-la, a qualquer custo. Mas num pais recém formado, não havia muitos argumentos para provocar nacionalismo em seus cidadãos.
Como, então, persuadir o italiano? Vitor Emanuel II se utilizou dos eventos históricos que ocorreram naquele território para despertar o patriotismo, principalmente o Império Romano.
Deste modo, conseguiu “fazer os italianos” e se manter no poder até 1878, quando morreu.
O caso da unificação da Itália é apenas mais um exemplo da utilização do sentimento nacionalista das pessoas para manipulá-las. Através desta estratégia, governantes se popularizavam e conseguiam se manter firmes no poder por muitos anos, sem uma oposição muito forte.
Apesar da população achar que a situação do Estado estava mudando, o poder continuava sempre com as mesmas pessoas.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
O Nacionalismo de Mikhail Glinka
O Nacionalismo de Mikhail Glinka - 6ª Oficina de História
Introdução
O Romantismo foi um movimento artístico, cultural e intelectual que se estendeu de 1810 a cerca de 1910. Os compositores românticos se destacaram no rol da música universal ao darem uma importância extraordinária às emoções. Ao contrário dos seus antecessores, os românticos viam o sentimento como o que deveria definir toda a melodia e a harmonia da composição. Mais que isso, defendiam uma liberdade de criação musical nunca antes vista, com a música transcendendo os limites da formalidade impostos até então, e chegando à pura essência do ser humano.
E, muitas vezes, essa predileção pela expressão das emoções se misturava ao Nacionalismo, isto é, com a noção de pertencer a um grupo, a uma nação. Os compositores românticos costumavam colocar em seus temas musicais fortes sentimentos por seu país. A pátria era glorificada através do uso de melodias e ritmos do folclore nacional, além do emprego de cenas do dia-a-dia, lendas e histórias de sua terra, mais comuns nas óperas.
A ópera, aliás, se tornou a mais popular das formas musicais no século XIX, e foi muita utilizada como meio de difusão dos ideais patrióticos nacionalistas, justamente por aliar a encenação (que poderia ser de lendas ou cenas do cotidiano nacional) com a música (cujo tema era de admiração e louvor à pátria).
A música de Mikhail Glinka
Glinka é considerado até os dias atuais como o pai da música russa. Suas óperas de cunho nacionalista foram muito apreciadas pelos seus compatriotas, e estabeleceram as bases onde seus sucessores, como Tchaikovsky, tiraram sua inspiração.
Mikhail Glinka tinha por objetivo estabelecer os padrões de um estilo genuinamente russo de música (o “modo russo de compor”), rompendo com as influências germânicas e italianas tão fortes em sua época. Assim, já se nota um objetivo patriótico nas composições de Glinka, na medida em que procuravam construir uma identidade nacional para a Rússia no âmbito da música romântica.
Entretanto, sua música, de essência exageradamente folclórica, não foi tão apreciada no resto da Europa, ficando de certa forma restrita ao âmbito das composições nacionais russas.
Uma vida pelo Tzar
Aos 32 anos, em 1836, Glinka compõe a ópera que viria a ser sua obra-prima: “Zizn te tsaria”, “Uma vida pelo Tzar”. A obra conta a estória de Ivan Susanin, um simples camponês, e se passa entre 1612 e 1613. O herói descobre uma conspiração dos poloneses, que querem assassinar o recém-coroado Tzar russo, e parte com sua família para tentar alertá-lo.
Susasin consegue enganar as tropas polonesas, levando-as para um beco sem saída numa passagem montanhosa, enquanto seu genro, Sobinin, e seu filho, Vanya, correm para o palácio do Tzar. Ao descobrirem a farsa de Susanin, os poloneses o matam, mas o Tzar consegue escapar da ameaça iminente. O último ato fecha com uma procissão em Moscou, celebrando a glória do Tzar e o heroísmo de Susanin.
A estória era repleta de referências ao folclore russo, como as festas populares nos vilarejos pelos quais Susanin passa e a referência a elementos folclóricos e religiosos. Além disso, a trama era acompanhada por composições muito diferentes daquelas tocadas nos outros países europeus: em vez de grandes sinfonias, as músicas eram típicas do cancioneiro popular da Rússia (a sinfonia só aparecia durante a passeata final em Moscou).
Dessa forma, Mikail Glinka visa incentivar uma postura patriótica no povo russo. Dando o exemplo de um camponês simples que se torna um herói ao dar a vida pelo soberano e pela sua nação, o autor deixa a seguinte mensagem: “Você, também, pode entrar para a História se amar a pátria mais do que tudo, inclusive mais do que sua própria vida”. A ópera demonstra, assim, um conteúdo altamente nacionalista, típica do Romantismo.
Além disso, ao colocar a etnia, a nação polonesa como inimiga da russa, Glinka contribui para a formação de uma identidade nacional para a Rússia: existimos “nós”, os heróis da pátria, e “eles”, os poloneses, assassinos e traidores.
Lembremos que o Nacionalismo é uma construção – ele não surge pronto, mas é edificado pouco a pouco. E a escolha musical de Glinka se mostrou perfeita para esse objetivo.
Para exemplificar, tome-se um tenor russo que execute a peça “Uma vida pelo Tzar”. Ao entoar composições típicas do cancioneiro popular russo, parecidas com aquelas que ele escuta em seu cotidiano, e assistir cenas repletas de folclore, presentes em seu dia-a-dia, surge no cantor (e no público) um forte sentimento de pertença à nação, à “Mãe Rússia”. Eles percebem “Ei, eu conheço isso. Essas músicas são daqui. Eu me identifico com elas”. Isso não acontecia com as hegemônicas óperas alemãs e italianas, que não representavam, de forma alguma, os costumes russos. Já Glinka consegue capturar com maestria a essência cultural de sua pátria – tão bem que suas óperas, forma musical sempre considerada erudita, se tornam populares entre o povo, nas ruas. E criam em suas consciências a noção de que “Eu pertenço a essa nação. Eu sou russo.”
Alunos:
Jose Paulo Amoedo Bueno Brandão..........................................nº 9
Matheus Padrón da Silveira.......................................................nº 17
Matheus Pereira Leão...............................................................nº 18
Turma: 211
Introdução
O Romantismo foi um movimento artístico, cultural e intelectual que se estendeu de 1810 a cerca de 1910. Os compositores românticos se destacaram no rol da música universal ao darem uma importância extraordinária às emoções. Ao contrário dos seus antecessores, os românticos viam o sentimento como o que deveria definir toda a melodia e a harmonia da composição. Mais que isso, defendiam uma liberdade de criação musical nunca antes vista, com a música transcendendo os limites da formalidade impostos até então, e chegando à pura essência do ser humano.
E, muitas vezes, essa predileção pela expressão das emoções se misturava ao Nacionalismo, isto é, com a noção de pertencer a um grupo, a uma nação. Os compositores românticos costumavam colocar em seus temas musicais fortes sentimentos por seu país. A pátria era glorificada através do uso de melodias e ritmos do folclore nacional, além do emprego de cenas do dia-a-dia, lendas e histórias de sua terra, mais comuns nas óperas.
A ópera, aliás, se tornou a mais popular das formas musicais no século XIX, e foi muita utilizada como meio de difusão dos ideais patrióticos nacionalistas, justamente por aliar a encenação (que poderia ser de lendas ou cenas do cotidiano nacional) com a música (cujo tema era de admiração e louvor à pátria).
A música de Mikhail Glinka
Glinka é considerado até os dias atuais como o pai da música russa. Suas óperas de cunho nacionalista foram muito apreciadas pelos seus compatriotas, e estabeleceram as bases onde seus sucessores, como Tchaikovsky, tiraram sua inspiração.
Mikhail Glinka tinha por objetivo estabelecer os padrões de um estilo genuinamente russo de música (o “modo russo de compor”), rompendo com as influências germânicas e italianas tão fortes em sua época. Assim, já se nota um objetivo patriótico nas composições de Glinka, na medida em que procuravam construir uma identidade nacional para a Rússia no âmbito da música romântica.
Entretanto, sua música, de essência exageradamente folclórica, não foi tão apreciada no resto da Europa, ficando de certa forma restrita ao âmbito das composições nacionais russas.
Uma vida pelo Tzar
Aos 32 anos, em 1836, Glinka compõe a ópera que viria a ser sua obra-prima: “Zizn te tsaria”, “Uma vida pelo Tzar”. A obra conta a estória de Ivan Susanin, um simples camponês, e se passa entre 1612 e 1613. O herói descobre uma conspiração dos poloneses, que querem assassinar o recém-coroado Tzar russo, e parte com sua família para tentar alertá-lo.
Susasin consegue enganar as tropas polonesas, levando-as para um beco sem saída numa passagem montanhosa, enquanto seu genro, Sobinin, e seu filho, Vanya, correm para o palácio do Tzar. Ao descobrirem a farsa de Susanin, os poloneses o matam, mas o Tzar consegue escapar da ameaça iminente. O último ato fecha com uma procissão em Moscou, celebrando a glória do Tzar e o heroísmo de Susanin.
A estória era repleta de referências ao folclore russo, como as festas populares nos vilarejos pelos quais Susanin passa e a referência a elementos folclóricos e religiosos. Além disso, a trama era acompanhada por composições muito diferentes daquelas tocadas nos outros países europeus: em vez de grandes sinfonias, as músicas eram típicas do cancioneiro popular da Rússia (a sinfonia só aparecia durante a passeata final em Moscou).
Dessa forma, Mikail Glinka visa incentivar uma postura patriótica no povo russo. Dando o exemplo de um camponês simples que se torna um herói ao dar a vida pelo soberano e pela sua nação, o autor deixa a seguinte mensagem: “Você, também, pode entrar para a História se amar a pátria mais do que tudo, inclusive mais do que sua própria vida”. A ópera demonstra, assim, um conteúdo altamente nacionalista, típica do Romantismo.
Além disso, ao colocar a etnia, a nação polonesa como inimiga da russa, Glinka contribui para a formação de uma identidade nacional para a Rússia: existimos “nós”, os heróis da pátria, e “eles”, os poloneses, assassinos e traidores.
Lembremos que o Nacionalismo é uma construção – ele não surge pronto, mas é edificado pouco a pouco. E a escolha musical de Glinka se mostrou perfeita para esse objetivo.
Para exemplificar, tome-se um tenor russo que execute a peça “Uma vida pelo Tzar”. Ao entoar composições típicas do cancioneiro popular russo, parecidas com aquelas que ele escuta em seu cotidiano, e assistir cenas repletas de folclore, presentes em seu dia-a-dia, surge no cantor (e no público) um forte sentimento de pertença à nação, à “Mãe Rússia”. Eles percebem “Ei, eu conheço isso. Essas músicas são daqui. Eu me identifico com elas”. Isso não acontecia com as hegemônicas óperas alemãs e italianas, que não representavam, de forma alguma, os costumes russos. Já Glinka consegue capturar com maestria a essência cultural de sua pátria – tão bem que suas óperas, forma musical sempre considerada erudita, se tornam populares entre o povo, nas ruas. E criam em suas consciências a noção de que “Eu pertenço a essa nação. Eu sou russo.”
Alunos:
Jose Paulo Amoedo Bueno Brandão..........................................nº 9
Matheus Padrón da Silveira.......................................................nº 17
Matheus Pereira Leão...............................................................nº 18
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